I
A Casa Dos Que Não Existiam
A casa ocupava quase o quarteirão todo. Ela crescia em um
cinza sóbrio por cima dos altos muros de tijolo a vista. Quem passava pela
calçada a noite, tinha grandes olhos amarelados das luzes das largas janelas.
Mas ninguém caminhava por ali.
A casa em si era de um estilo clássico, quase um vitoriano abandonado.
Possuía seus três angustiantes andares. Uma ala principal e duas
secundárias ligadas por longos corredores. Corredores em que nas noites de lua
cheia permitiam a vaga claridade do satélite passar suavemente pelas
leves cortinas de seda embaladas pela brisa, deixando tudo de uma elegância de
épocas mortas.
O que mais se destacava era a grama de um verde-vida naquela cena
descolorida. Talvez uma família, geração após geração, tenha vivido feliz nessa
casa. Mas ela não foi erguida para ninguém viver ali.
Essa casa não existia.
Na rua "De Quando Você Fecha Os Olhos", uma casa ocupava
quase o quarteirão todo: O Orfanato para sonhos perdidos.
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(Conto idealizado por Insônia e Pequena D'Alva)
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